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Palavras de Oscar Mifsud

 Por que Mondlango?
por Oscar Mifsud


Bem, para começar, hoje em dia a idéia central é a unificação e a unicidade. A tendência é ter um sistema único de medição, de moeda etc. etc. Isso está ajudando a unir os povos e a terminar com os conflitos e as guerras entre as nações. Até agora, quase todas as tentativas de unificar tiveram resultados muito bons nos últimos anos. Mas a mudança que se faz mais urgente, tem sido até agora negligenciada por razões bastante egoístas. O que é mais necessário, é uma adequada comunicação, e para que isso aconteça não há maneira melhor do que ter uma língua comum para todos. Uma língua mundial é a chave para a maioria dos nossos problemas globais.

Alguém pode argumentar que há o Inglês. Todo mundo aprende inglês no mundo inteiro! Seja como for, a verdade é que nenhuma língua nativa em particular, pertencente a qualquer nação ou país em particular, é ideal para exercer a função de uma língua internacional, pela simples razão, para citar apenas uma no momento, de que todas elas apresentam suas dificuldades, e que seria absurdo esperar que fossem removidas essas dificuldades para a conveniência de outros.

Aprenda Inglês, já que existe uma mania mundial para isso. A verdade, é que não é somente útil, mas agora tornou-se necessário. No entanto, o que significa nenhuma ofensa a quem quer que seja, nele tudo é cheio de dificuldades e irregularidades. Quando peço aos meus alunos para sugerirem as qualidades adequadas de uma língua internacional, eles vêm com coisas como: “deve ser fácil de aprender; deve ser 100% fonética; não deve ter letras acentuadas; deve ser fácil de pronunciar; não deve existir consoantes duplas; deve ser sem exceções; deve ter fácil conjugação de verbos; ter uma maneira econômica de formação de palavras para diminuir a tensão na memória; gramática fácil etc.” Ora, todos sabemos que nenhuma língua nacional existente tem todos esses excelentes atributos para qualificá-la como uma língua mundial. O Inglês, deve-se admitir, não tem absolutamente nenhum - nem mesmo um destes. As vogais só nos dão uma dor de cabeça em relação à leitura e escrita. A pronúncia, em geral, faz você ficar maluco; a ortografia enlouquece você; e o que dizer da gramática?...

Tudo isso, muito infelizmente, faz do Inglês um idioma inadequado para uma aprendizagem rápida pelos estrangeiros. Eu digo “muito infelizmente”, porque nós precisamos do Inglês e não estou, de forma alguma, sugerindo que as pessoas não devem aprender Inglês. O que estou falando é que, além do Inglês, poder-se-ía ou se deveria estudar uma língua comum, uma língua internacional. E eu aqui estou imaginando alguém dizer que já há o Esperanto. Mas, embora esteja em uso por mais de um século, não se pode dizer que a prática pegou, pelo menos na medida esperada. Possui quase todas as características acima mencionadas, exceto algumas.

Pode-se argumentar que qualquer nova língua deve ser necessariamente artificial. E daí? Todas as coisas feitas pelo homem são artificiais. Devemos rejeitá-las por essa razão? O que faríamos sem eletricidade, máquinas, veículos e tantas outras coisas? O Esperanto é apenas uma das línguas artificiais, que se pode provar ter solucionado muitos dos problemas linguísticos. Infelizmente, como a maioria das coisas nesta terra, nada é perfeitamente limpo e sem mancha. Possui alguns defeitos, embora bem poucos, tais como letras acentuadas, a não utilização de algumas letras familiares como Q, W, X e Y. Estes infelizes defeitos tem afastado muitos, embora, não obstante, concordem plenamente que deve haver uma língua internacional. A vinda do computador fez piorar as coisas, em razão das letras acentuadas. Pedidos, feitos por muitos, para removê-las, tem caído em ouvidos surdos, e o Esperanto começou a perder terreno, especialmente com pessoas que usam a Internet. Eu sou um esperantista aficcionado, e tivessem as letras acentuadas sido retiradas e introduzidas o W, X e Y em seu alfabeto eu teria ficado satisfeito. Mas algo ainda melhor aconteceu. Uma nova língua internacional, Mondlango (originalmente chamada Ulango), nasceu na China em julho de 2002. Seu/s autor/es, muito sabiamente, na minha opinião, baseando-se no Esperanto, retirou todos os acentos das letras e introduziu as letras faltantes mencionadas acima. Ele/s fez ainda melhor: admitindo a popularidade do Inglês, em muitos casos substituiu radicais já consolidados na língua Esperanto por radicais da língua inglesa, levando em consideração a fonética desta última. Esse passo, sabiamente dado, penso eu, satisfaz a todos, porque, em Mondlango nós temos exatamente o que queremos: uma língua comum muito fácil, 100% fonética, empregando nenhuma consoante dobrada, racional, sem exceções, nenhuma letra acentuada e, o que é mais importante, muito semelhante ao Inglês falado. Naturalmente, o Mondlango, estando ainda na sua tenra infância, está longe de ser perfeita e, o mínimo que podemos fazer é dar a ele uma chance de se desenvolver para atingir a idade madura. Isto ele pode e fará, porque, ao contrário do Esperanto, não é forjado em bronze e que, por isso, não pode mudar. Ele irá evoluir e amadurecer no devido tempo, para o deleite daqueles que o adotarem.

É por isso que, sem abandonar completamente o Esperanto, optei por mudar para: MONDLANGO.